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AUTOBIOGRAFIA DIGITAL: QUANDO SEU CELULAR SABE TUDO SOBRE VOCÊ

Ele te observa. Diariamente, em cada interação, em cada like, foto ou conversa, ele cria uma verdadeira autobiografia digital até formar uma espécie de caixa preta sobre a sua vida. Os celulares montam toda uma autobiografia sobre nós, que é vendida a grandes empresas para obter benefícios financeiros. Nós somos “mercadoria”. Existe uma inteligência artificial por trás disso tudo que está estudando e tentando prever o nosso comportamento. E tudo isso orientado para fins econômicos.
 
Fonte: A Mente é Maravilhosa
Foto: Imagem Ilustrativa

 
Existe alguém que te conhece tão bem quanto você mesmo? Sim, o seu celular. Você não percebe, mas esse dispositivo é uma extensão de você e pode dizer coisas a seu respeito que podem te deixar corado.
Diariamente, em cada interação, em cada like, foto ou conversa, ele cria uma verdadeira autobiografia digital até formar uma espécie de caixa preta sobre a sua vida.
Quando baixamos um aplicativo novo, a nossa realidade muda e nem sempre temos consciência disso. Tudo o que somos e o que fazemos será registrado por algoritmos orientados a um único propósito: lucrar, monetizar.
A vida cotidiana é capturada e processada de maneiras altamente sofisticadas. Somos constantemente lidos, observados e analisados para obter conclusões sobre quem somos.
Isso não é história de filme de terror, é uma realidade que acontece o tempo todo.
 
A AUTOBIOGRAFIA DIGITAL E COMO NOSSOS CELULARES OBTÊM INFORMAÇÕES SOBRE NÓS
Assim que compramos um celular e iniciamos uma sessão no Google, abre-se uma dimensão paralela e invisível diante de nós.
Nós não percebemos, não notamos, mas a partir deste momento um exército de espiões começa a registrar tudo que fazemos. Nós damos autorização para os aplicativos fazerem isso, porque para usá-los, acabamos dando em troca nossos dados ao aceitar sua “vigilância camuflada" e a gestão dos nossos dados privados.
Projetos de pesquisa, como os realizados pelo Departamento de Ciências da Computação na Universidade de Southampton, no Reino Unido, indicam algo importante. As diretrizes e abordagens de privacidade nesses contratos são inadequadas e incompletas: há aspectos sobre os quais não somos informados.
O complicado é que existem cada vez mais aplicativos voltados para a captura dos nossos dados, e não conseguimos viver nosso dia a dia sem esses recursos.
 
O LIFELOGGING E O MECANISMO DE COMPILAÇÃO DE DADOS DA VIDA
O registro de dados que os nossos dispositivos fazem sobre as nossas atividades da vida cotidiana é chamado de lifelogging.
Este é um processo minucioso, contínuo e altamente sofisticado que registra cada coisa que fazemos (e inclusive o que não fazemos).
Nossos espiões digitais vão obtendo dados por meio dos aplicativos, e fazem isso 24 horas por dia, 7 dias da semana.
Falamos disso ali atrás: estes tipos de apps estão surgindo de uma forma avassaladora e todos eles vão moldando nossa autobiografia digital. Mas, como eles conseguem fazer isso?
Vamos pensar num smartwatch registrando nossos movimentos e estilo de vida. Ele sabe quantas horas dormimos, conhece nossos hábitos nutricionais, conhece nossa frequência cardíaca e como está nosso coração, e até mesmo as mensagens que enviamos.
Também existem aplicativos que ajudam as mulheres a registrar seu período menstrual ou a identificar seus dias férteis.
Da mesma forma, já contamos com apps que registram nosso humor e que nos dão conselhos para melhorar o nosso dia a dia.
Também existem apps que servem como diário pessoal, que nos ajudam a fazer a lista de compras do mercado ou que nos lembram das consultas médicas.
Não podemos nos esquecer do GPS do nosso celular e do registro das nossas localizações.
O Google também armazena nossas fotos. Boa parte dos celulares já vem com apps de fábrica que não podem ser desinstalados e guardam nossas fotos pessoais de forma automática na nuvem virtual.
 
AS REDES SOCIAIS E A NOSSA AUTOBIOGRAFIA DIGITAL
Os aplicativos móveis são os captores mais vorazes dos nossos dados pessoais diários, ou lifelogging.
Agora, não podemos deixar de lado as grandes rainhas absolutas do mercado de dados: as redes sociais. Vamos dar um exemplo.
A maioria de nós já viu como o Facebook regularmente nos lembra de certos momentos do passado, publicações de anos anteriores.
Todas as nossas experiências, interações, informações compartilhadas ou pensamentos publicados ficam registrados por essas grandes empresas. O mesmo acontece com o Instagram, o Twitter, ou qualquer outra rede social. Toda foto postada ou dado publicado é captado, registrado em poucos milissegundos e armazenado em grandes centros de dados, ocultos nos lugares mais inesperados do nosso planeta.
Além disso, há outro fato ainda mais importante. Nossa autobiografia digital continua existindo mesmo após a nossa morte.
Empresas como a Microsoft, por exemplo, criaram um chatbot capaz de recriar a vida de uma pessoa falecida a partir das suas publicações nas redes sociais…
 
OS RISCOS DO ARMAZENAMENTO DE TODOS OS NOSSOS DADOS PESSOAIS
É verdade que aqueles lembretes no Facebook, sobre o que fizemos há 2 ou 8 anos, em muitos casos despertam em nós uma emoção positiva.
É verdade também que não imaginamos mais o nosso dia a dia sem estes recursos auxiliares, sem a extensão do nosso corpo que é o celular e que, de alguma forma, torna a nossa vida mais fácil, produtiva e até feliz.
No entanto, todos esses benefícios têm um preço e até mesmo um prejuízo. Parte dessa autobiografia digital nunca é realmente nossa. Nós somos mercadoria. Existe uma inteligência artificial por trás disso tudo que está estudando e tentando prever o nosso comportamento. E tudo isso orientado para fins econômicos.
Também não podemos nos esquecer de que esses dados privados podem ser expostos.
O roubo de dados privados para chantagear ou difamar é algo bastante comum. Estamos, sem dúvidas, diante de uma realidade altamente complexa que, nesse momento, não está legislada nem regulamentada. Enquanto isso, continuamos a fazer parte desta “Matrix" porque simplesmente não imaginamos outra forma de vida.
 

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