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TIRA-DÚVIDAS DE GRAMÁTICA ATENDE DE GRAÇA POR TELEFONE E REDE SOCIAL NO PARANÁ

A professora, Cristina Valéria Bulhões Simon, e a estudante, Natália Marques de Jesus, atendem no plantão de dúvidas (foto), uma iniciativa da UEL

 

Fonte: folha.uol.com.br/cotidiano - A professora, Cristina Valéria Bulhões Simon, e a estudante, Natália Marques de Jesus (folha.uol.com.br/cotidiano)

 

Um pintor de letreiros quer saber a ortografia correta de uma palavra que vai escrever em uma parede. Já a funcionária do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) tem uma dúvida de concordância nominal. A moça que estuda para concursos viu a palavra emeio, referindo-se a correio eletrônico, em um texto jornalístico, e ficou intrigada.

Todos essas pessoas entraram em contato com o Disque-Gramática, um projeto de extensão mantido há 22 anos pela Universidade Estadual de Londrina - UEL.

Duas professoras e cinco estudantes de letras fazem plantão, todas as tardes, de segunda-feira à sexta-feira, para atender a telefonemas e responder a e-mails e mensagens que chegam por redes sociais, de pessoas que têm dúvidas gramaticais.

São aproximadamente cem atendimentos por mês.

“Muitas vezes, as pessoas procuram na internet e não encontram respostas. Nós também não sabemos tudo, mas sabemos onde procurar”, afirmou a professora Cristina Valéria Bulhões Simon, coordenadora do projeto, cercada de dicionários e gramáticas.

Uma das alunas que atendem no Disque-Gramática, Natália Marques de Jesus, 22 anos, disse que os amigos costumam estranhar seu trabalho.

“O pessoal utiliza bastante as redes sociais e muitos não acham importante escrever corretamente. Outros passam a achar que sou um dicionário ambulante e começam a fazer várias perguntas. Meu pai, que é vendedor, não escreve mais nada sem me consultar”, afirmou a estudante.

Segundo a professora, o campeão de dúvidas é o hífen, sobretudo depois da reforma ortográfica que começou a vigorar em 2009.

Concordância fica em segundo lugar, seguida por pontuação, com destaque para a vírgula, e acentuação, que tem a crase como a vilã principal.

Muitos dos usuários nem se identificam. Outros prolongam o papo por telefone.

“São professores, estudantes que estão escrevendo artigos, jornalistas, publicitários, advogados e profissionais que trabalham escrevendo, como os que fazem convites de casamento, faixas, letreiros. Uns têm vergonha e desligam rapidinho. Outros agradecem bastante”, disse a estudante Ana Clara Anunciação, 18 anos.

O serviço é gratuito, e as consultas podem ser feitas por pessoas de qualquer lugar, do Brasil ou do exterior.

Por telefone, as dúvidas são respondidas imediatamente. Se a resposta não estiver na ponta da língua dos plantonistas, eles retornam em até meia hora para quem ligou, desde que o telefone seja fixo e de Londrina. Não podem ligar para celulares ou fazer interurbanos por norma da universidade.

Por e-mail ou pelas redes sociais, as respostas costumam chegar em dois dias, com explicações técnicas e referências bibliográficas.

“O serviço é gratuito, mas nós ganhamos muito, pois ficamos sabendo quais são as dúvidas reais da população e as estudamos. Assim, tornamo-nos melhores”, disse a professora.

Para quem preza por escrever ou pronunciar as palavras corretamente, ter um especialista de plantão é muito útil.

“Muitas vezes busco em livros, dicionários, internet e não consigo chegar a uma conclusão sobre como montar corretamente uma frase. Daí, só pedindo socorro para eles”, afirmou Neusa Maria Cabrera, servidora do TRT.

O Disque-Gramática começou com o professor Joaquim Carvalho da Silva, que era constantemente requisitado para tirar dúvidas e resolveu montar o plantão gramatical.

 

CONTATO

Para entrar em contato, o telefone é 43-3371-4619. O atendimento é das 14 horas às 18 horas.

Dúvidas também podem ser enviadas para o e-mail (disque-gramatica@uel.br).

 

A propósito, “emeio” não estará errado. O Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), da ABL (Academia Brasileira de Letras), registra a palavra assim, como a falamos em português.

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