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EDUCAÇÃO: O FIM DE UMA ERA

A crise e as mudanças demográficas puseram fim à era do mais – mais escolas, mais professores, mais recursos. Agora começa a disputa pelo que sobrou
 
Fonte: Por João Batista Oliveira / veja.abri.com.br/blog/educacao
Foto: Imagem ilustrativa (Pilar Olivares/Reuters)

 
As vias de saída para melhorar a educação se tornaram cada vez mais estreitas.
As provocações do Ministro da Educação, o contingenciamento de recursos do MEC e as vigorosas passeatas e demonstrações de descontentamento em todo o país marcam o fim de uma era.
Os otimistas acham que o Brasil seguirá o destino da Grécia, mas se esquecem de que por lá existia o colchão da Comunidade Europeia.
Não faço ideia do que pensam os pessimistas.
Os movimentos de rua deixaram claro que o tema da educação aglutina os mais diferentes grupos de interesse.
Esses movimentos, como em 2013, foram apropriados para expressar diferentes descontentamentos – não necessariamente relacionados com a educação.
O que parece unir a todos é a unanimidade a respeito de que recursos para a educação não devem ou não podem estar sujeitos a limitações.
A má notícia é que essa era chegou ao fim. Independentemente das convicções dos governos municipais, estaduais e do governo federal sobre a importância e mérito da área: a situação financeira do país não vai conseguir atender a todas as demandas – por mais justas que sejam. 
A Reforma da Previdência é apenas o boi de piranha, mais sangue irá ocorrer nas próximas décadas.
O estrago causado à economia e aos bons costumes foi gigantesco.
A crise financeira é apenas parte do problema.
A outra decorre das mudanças demográficas: hoje temos 63,8 milhões pessoas de zero a 20 anos de idade e 20 milhões acima de 65.  Em 2060, teremos respectivamente 48,3 de zero a 20 anos de idade e 57,6 milhões acima de 65.
Crianças não votam, idosos votam, vociferam e morrem se não houver atendimento imediato.
E as condições de diálogo e debate se tornam cada vez mais rarefeitas.
Assim, as vias de saída para melhorar a educação se tornam cada vez mais estreitas.
Recursos para melhorar a qualidade só ocorrerão com aumento da eficiência.
Aumento de recursos só virá de aumentos da produtividade da economia, refletida em aumento do PIB.
A crise econômica e as mudanças demográficas puseram fim à era do mais – mais escolas, mais professores, mais vagas, mais recursos. 
Essa era permitiu um crescimento vertiginoso da oferta de matrículas e de recursos para o setor.
Permitiu a formação de impensáveis e improváveis consensos.
Agora começa a disputa pelo que sobrou. Ou pelo que vier a sobrar.

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