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Pedagogia

“DIA DAS PROFESSORAS”: NOVE EM CADA DEZ ESTUDANTES DE PEDAGOGIA SÃO MULHERES E MAIORIA FAZ CURSO A DISTÂNCIA

Das pessoas matriculadas em pedagogia, 93% são mulheres, 52,4% estão em cursos a distância e oito em cada dez estudam na rede privada. Veja dados exclusivos, que comparam a carreira de pedagogia com o restante das graduações

 

Fonte: G1 – Foto: Reprodução: mensagens10.com.br

O perfil de quem vai dar aulas ou atuar na supervisão, coordenação, direção e gestão das escolas brasileiras é predominantemente feminino.

Segundo um levantamento feito a pedido do G1, pelo IDados, empresa especialista em dados de educação, ao ser comparada com as demais carreiras de graduação, a pedagogia se destaca pela prevalência quase total de estudantes mulheres, pela maior porcentagem de matrículas em cursos de educação a distância (EAD) e pela maior incidência de estudantes que vêm de famílias das classes mais pobres do país.

O levantamento cruzou dados de três fontes: o Censo da Educação Superior e os questionários do Enade e da Prova Brasil, respondidos por quem está na faculdade e por quem já dá aulas, respectivamente.

Em 2015, segundo o Censo da Educação Superior, 8% de todas as matrículas em graduação estavam concentradas na carreira de pedagogia, o que representa 652.537 de 8.027.297 estudantes.

As mulheres respondiam por 606.678, ou 93% dessas matrículas. Já considerando todos os demais 7.374.760 estudantes, as mulheres ainda representam a maioria, embora em uma porcentagem bem mais baixa, de 54% do total.

 

AS MULHERES NA PEDAGOGIA

Compare a porcentagem de mulheres e homens entre o total de matrículas em pedagogia e nos demais cursos

Pedagogia: mulheres, 93%

Pedagogia: homens, 7%

Outras carreiras: mulheres, 54%

Outras carreiras: homens, 45%

 

Os dados mostram ainda que, no decorrer dos anos, as instituições privadas, considerando as instituições privadas com e sem fins lucrativos, aumentaram em 27% seu número de vagas em pedagogia, e sua concentração do total de vagas na carreira subiu de 74,8% para 80,6% entre 2009 e 2015.

As universidades estaduais tiveram a maior queda de participação, e foram as únicas a fechar vagas.

Com 70.285 matrículas em 2009, elas respondiam por 12,7% do total. Mas, em 2015, o número havia caído 11%, para 62.780 vagas, o que representa 9,6% de todas as matrículas em pedagogia.

Por outro lado, o número de vagas nas universidades estaduais para as outras carreiras de graduação subiu 12%.

Nas universidades federais, o número total de vagas cresceu 14%, mas a representação das federais no total de matrículas em pedagogia caiu de 8,8% para 8,6%.

A expansão maior nessas instituições foi em vagas de outras carreiras: nesse grupo, a participação das universidades federais no total de matrículas foi de 14,8% para 15,7%.

 

MAIORIA ESTUDA A DISTÂNCIA

O curso de pedagogia, que já tinha a maioria das vagas em educação a distância em 2009, seguiu a mesma tendência em 2015: 52,4% das matrículas eram da modalidade EAD. Essa concentração é 3,6 vezes mais alta do que no resto do ensino superior.

 

RENDA FAMILIAR

Dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2014 mostram que os formandos de pedagogia, que fizeram a prova naquele ano, vêm de famílias com renda mais baixa do que os estudantes de outros cursos que participaram do exame.

 

ESTUDANTES DE PEDAGOGIA X ESTUDANTES DAS DEMAIS CARREIRAS

 

Renda familiar de até três salários mínimos: Pedagogia: 64,7% - Demais Carreiras: 40%

Estudantes cujas mães não estudaram: Pedagogia: 13,9% - Demais Carreiras: 5,2%

Estudantes cujas mães estudaram até a quarta série: Pedagogia 45,1% - Demais Carreiras: 24,2%

Estudantes que só estudam e não trabalham: Pedagogia: 22,5% - Demais Carreiras: 31,1%

Fonte: IDados/Enade 2014

 

DESIGUALDADES RACIAIS

Além da desigualdade de renda, o levantamento do IDados aponta também disparidades entre os professores de diferentes cores e raças.

Uma série de cruzamento de dados do questionário preenchido pelos docentes do quinto ano do ensino fundamental, na edição de 2015 da Prova Brasil, comparou as respostas dos professores de cada raça para três critérios: a modalidade em que cursou o ensino superior (presencial, semipresencial ou a distância, por exemplo), o nível de escolaridade e o salário.

Em todos eles, os professores que se autodeclararam brancos demonstram uma ligeira vantagem em relação às demais raças. Veja a comparação entre cinco quesitos:

 

COMPARAÇÃO RACIAL ENTRE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL I

Fez o ensino superior presencial: Branca 74%; Parda 68,5%; Preta 70,9%; Amarela 70%; Indígena 63,2%

Não terminou o ensino superior: Branca 5,3%; Parda 7,6%; Preta 8,1%; Amarela 5,5%; Indígena 12,2%

Tem diploma de pedagogia: Branca 61%; Parda 55,4%; Preta 56,7%; Amarela 58,3%; Indígena 45,8%

Recebe salário de até R$ 2.373,00: Branca 63,4%; Parada 69%; Preta; 66,1%               ; Amarela 71,8%; Indígena 71,7%

Recebe salário entre R$ 2.374,00 e R$ 4.746,00: Branca 32,6%; Parda 28%; Preta 29,6%; Amarela 25,9%; Indígena25%

Fonte: IDados/Prova Brasil 2015 (os dados excluem os professores que não sabiam ou não quiseram declarar uma raça)

 

FORMAÇÃO DE QUALIDADE

Segundo Marcos Neira, presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), quem conclui a graduação em pedagogia pode dar aulas tanto em escolas como em outros ambientes, como os hospitalares e prisionais, além de exercer funções de supervisão, coordenação e direção de escolas.

Entre 2001 e 2015, 861.420 pessoas obtiveram o diploma no curso, entre outros motivos porque, desde 2006, para dar aulas em creches, pré-escolas e nos primeiros anos do ensino fundamental, é obrigatório ter ensino superior.

Porém, ainda existem salas de aula comandadas por pessoas sem a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

"Em tese, uma vez que nós temos já uma oferta muito grande de pessoas com nível superior, isso deveria acabar, mas muitas vezes ainda vemos editais com habilitação em magistério", citou Neira.

Outro motivo da crescente procura é a baixa qualidade de outros cursos de licenciatura, como matemática ou ciências humanas, que leva a professores de outras áreas a buscarem uma segunda licenciatura para "aprenderem a ensinar".

"Muitas vezes, nos cursos de origem, a formação pedagógica é mais fraca. Então uma pessoa faz matemática, vai trabalhar na escola e vê que o curso de origem não ofereceu os conhecimentos necessários", destacou Marcos Neira.

O especialista ressalta, porém, que a rápida proliferação de vagas de pedagogia pelo Brasil pode fazer com que muitos cursos sejam oferecidos sem a qualidade necessária. "É um curso muito exigente, ensina história da educação, filosofia da educação, sociologia da educação, política educacional, metodologia, educação em cultura africana e indígena. Não é só ler muito, mas compreender o que está lendo."

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