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CURSO DE HARVARD APRESENTA CURRÍCULO DE CIDADANIA GLOBAL PARA CRIANÇAS E JOVENS

Livro do professor Fernando M. Reimers defende inclusão do tema em toda vida escolar. Em outra obra, ele discute currículos alinhados ao século 21
 
Fonte: porvir.org – Foto: kromkrathog/fotolia.com
Desenvolver ação e responsabilidade nos estudantes.
Este é o objetivo do curso sobre cidadania global, criado pelo especialista em políticas educacionais Fernando M. Reimers, e outros quatro autores da Harvard Graduate School of Education, nos Estados Unidos.
Lançado em português pela Fundação Santillana e pela Editora Moderna, o conteúdo é apresentado no livro “Empoderar Crianças e Jovens para a Cidadania Global – Fundamentos e Programa com Atividades e Referências, da Educação Infantil ao Ensino Médio”.
A obra conta com duas versões digitais gratuitas, uma em PDF e outra em formato de livro digital.
Além de Reimers, os outros autores do livro são Vidur Chopra, Connie K. Chung, Julia Higdon e Eleanor O’Donnel, todos ligados à área de pesquisa na Harvard Graduate School of Education.
Já em “Ensinar e Aprender no Século XXI – Metas, Políticas Educacionais e Currículos de Seis Nações”, da Editora SM, são comparadas estratégias de escolas dos Estados Unidos, Cingapura, Chile, China, Índia e México que trabalham para desenvolver competências nos estudantes.
Em entrevista ao Porvir, Reimers explicou que a cidadania é um assunto que deve ser abordado durante toda a trajetória educacional, com um currículo adaptado ao que é apropriado em cada estágio de desenvolvimento da criança.
“Por isso, os capítulos do livro são divididos de acordo com o ano escolar. O curso se inicia na educação infantil com atividades que envolvem entrevistas, descrições e contação de histórias sobre a beleza e diversidade do mundo. Segue ano a ano, como no terceiro do ensino fundamental, quando os estudantes começam a compreender a interdependência global, aprendendo sobre o funcionamento de uma fábrica de chocolate. No ensino médio, eles  trabalham com temas como meio ambiente, sociedade e saúde pública”, afirmou.
Cada capítulo apresenta detalhe das atividades, incluindo tópico, temas, regiões citadas, duração, objetivos e metas, habilidades e conhecimentos, visão geral, atividades e recursos, este último com páginas na internet sobre o tema.
O livro ainda tem apresentação da professora Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da CEIPE-FGV (Fundação Getulio Vargas), e tem o endosso de outros especialistas mundiais da área, como Irina Bokova, diretora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e o empresário suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann.
Segundo Isabel Farah Schwartzman, gerente de inovação e projetos do Grupo Santillana, o preparo para o exercício da cidadania está claramente apresentado na Lei das Diretrizes e Bases da Educação e nos Parâmetros Curriculares Nacionais, definidos como algumas das principais fontes norteadoras de currículos e materiais didáticos.
“Este objetivo se traduz, por exemplo, nos temas transversais, que são trabalhados em todas as disciplinas, incluindo ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho e consumo”, explica Isabel.
Ela ainda menciona que escola tem autonomia para discutir os temas de diferentes formas a partir de seu projeto político pedagógico.
“Há escolas que desenvolvem trabalhos primorosos com o tema da cidadania, como a Escola Municipal de Ensino Fundamental Infante Dom Henrique, na zona leste de São Paulo (SP), que recebe alunos imigrantes de diferentes países e desenvolve projetos para promover o respeito e integração destes alunos, que falam como primeira língua árabe, espanhol e inglês. Mas de forma geral, o nível das discussões certamente pode ser aumentado”, afirmou Isabel.
 
EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO 21
Outro livro lançado por Reimers no Brasil, recentemente, foi “Ensinar e Aprender no Século XXI – Metas, Políticas Educacionais e Currículos de Seis Nações”, da Editora SM.
Escrito e editado em parceria com a colega de Harvard Connie K. Chung, a obra discute e compara objetivos educacionais, políticas públicas e currículos dos Estados Unidos, Cingapura, Chile, China, Índia e México.
Os seis países participam da Iniciativa Global pela Inovação na Educação, pesquisa colaborativa que busca entender como as escolas trabalham para desenvolver nos estudantes as competências necessárias para viver, trabalhar e participar ativamente da sociedade no século 21.
A partir dos estudos levantados por especialistas da área nos seis países, os autores propõem cinco desafios e recomendações para que a educação para o século 21 seja realmente implementada.
Entre eles, estão a necessidade de promover o entendimento público sobre o tema, desenvolver mais pesquisas e teorias, encontrar novas formas de organizar os sistemas educacionais para encontrar o equilíbrio entre centralização e autonomia e mostrar como é possível desenvolver as competências para o século 21 ao mesmo tempo em que se investe na alfabetização tradicional.
 
“Em síntese, com este livro queremos fazer com que os que desempenham um papel na área de educação participem de um debate global sobre os propósitos da educação no século atual, os quais, na nossa visão, incluem a preparação de alunos com as competências, a capacidade de ação e o desejo de lidar com as questões importantes com que todos nós hoje nos defrontamos”, diz o texto.
A publicação tem posfácio escrito pela diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido, que fala sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) no Brasil.
“O que todos os estudantes brasileiros devem aprender e desenvolver ao longo de suas trajetórias escolares para realizar seus projetos de vida no século 21, contribuindo assim para que o Brasil avance como nação? Essa é a questão primordial que o país deveria se fazer na elaboração de sua Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, defende em seu texto.
De acordo com Anna, entre os países estudados no livro, “os que tiveram maior sucesso na construção de currículos sintonizados com a contemporaneidade são justamente aqueles que educam as novas gerações em consonância com seu projeto de nação”.
Para ela, os casos estudados no livro “Ensinar e Aprender no Século XXI” podem apoiar o Brasil a construir e implantar uma Base Nacional  sintonizada com o século atual.
“Por isso, deve ser assegurado que a BNCC possua propósitos claros e compartilhados, estruture-se com base em um processo planejado e transparente, inspire-se em referências internacionais, agregue a participação de diversos setores da sociedade, articule um sistema eficiente para garantir sua implantação, provoque a revisão dos mecanismos de avaliação da educação, apoie-se em um programa intensivo de formação dos profissionais da educação, alinhe as expectativas das famílias e promova o engajamento dos estudantes”.

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