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SOMENTE UMA EM CADA 10 ESCOLAS DA ELITE NACIONAL DO ENEM É DA REDE PÚBLICA

Os dados são de Enem de 2016. O governo deixou de apresentar os resultados por escola neste ano. Estudos mostram forte correlação entre nível socioeconômico e desempenho escolar

 

Fonte: 1.folha.uol.com.br/educação - Foto: Etesp, a melhor pública de SP no Enem 2016 (foto: reprodução: g1.globo.com)

Só um, em cada dez colégios, com as maiores médias por escolas no Exame Nacional do Ensino Médio - Enem de 2016, são públicos.

E quase todos os públicos, são federais, técnicos ou de aplicação.

A Folha de São Paulo tabulou os resultados do Enem 2016, a partir da base de dados divulgada pelo Ministério da Educação - MEC.

O governo deixou de apresentar os resultados por escola neste ano.

A reportagem excluiu escolas com menos de dez alunos; do 3º ano no exame; e/ou com menos de 50% do total desses estudantes na prova, seguindo critério do MEC de anos anteriores.

Também levou em conta apenas escolas com pelo menos 61 estudantes no 3º ano.

Esse grupo se aproxima mais do universo de escolas brasileiras; Na média, há 86 estudantes por cada instituição.

A média foi calculada pela Folha com as quatro áreas da prova objetiva (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, sem contar a redação).

A tabulação resultou em um total de 8.314 escolas, das quais, 6.978 (84%) públicas.

As privadas somam 1.336 no país.

Ao dividir o desempenho das escolas por faixa, 831 unidades aparecem entre as 10% com melhores médias. Dessas, somente 96 (12%) são públicas, sendo duas municipais, e o restante federal, técnica ou de aplicação.

Nesses 10% de elite, tanto privadas como públicas, há alunos privilegiados, com perfil socioeconômico "médio alto", "alto" e "muito alto".

Esses são os maiores níveis em uma escala de sete patamares, criada pelo MEC, nas últimas divulgações do Enem e também usada pela Folha.

Nesse grupo, as médias variam de 569,7 a 730,6 pontos.

Estudos mostram forte correlação entre nível socioeconômico e desempenho escolar.

No outro extremo de escolas, das 10% com notas mais baixas, todas as 831 unidades são estaduais.

Um terço tem alunos com perfil socioeconômico "baixo" e "muito baixo", os dois menores níveis.

Entre essas escolas, a nota varia de 430,96 a 464 pontos.

A pontuação mais alta do grupo seria suficiente, por exemplo, para se acessar apenas 22 carreiras, por cotas, entre as 30 mil notas de corte de 2017 no Sistema de Seleção Unificada - SISU, que reúne vagas de instituições que adotam o Enem como vestibular.

 

AVALIAÇÃO

O MEC parou de divulgar o Enem por escola, sob o argumento de que os dados não são adequados para avaliar as unidades.

O professor da USP Reynaldo Fernandes, um dos formuladores do formato atual do Enem, discorda.

"Posso não ter ideia do que acontece na escola, mas, com a pontuação, podemos comparar escolas próximas, parecidas em termos socioeconômicos. E o Enem ainda vai além de português e matemática [o que as avaliações federais e estaduais não fazem], e tem ensino particular", diz.

No critério da Folha, com escolas com mais de 61 alunos, o melhor desempenho do país foi do colégio Bernoulli, particular, de Belo Horizonte. Os 312 alunos alcançaram média 730,6 na parte objetiva. Na redação, 843,46.

As 88 públicas mais bem posicionadas são federais, técnicas ou de aplicação.

Em geral, essas unidades têm alunos de nível socioeconômico privilegiado, selecionados por vestibulinho. Há só seis públicas no top 100.

O colégio de aplicação da Universidade Federal de Viçosa (MG) teve a maior média entre as públicas: 695,07. Na redação: 829,55 pontos.

O Enem é a porta de entrada de quase todas universidades federais e algumas estaduais, como a USP.

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